quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

O Ciclo II


Eu já te amei tanto
De muito tempo atrás

Sim, foi muito bom!
Mas eu já não lembro mais....

Você foi uma coisa tão boa,
E já ficou pra trás....

Doce menina que era,
Eis que não existe mais...

E aquilo que era tão grande
Grande não parece mais...

E você que já fez sofrer,
É dor que neste peito jaz...

Eu que um dia chorava
Esses olhos já não choram mais...

E o peito que ora disparava
Coração agora bate jamais...

Você chegava e trazia seu sorriso
Mas sorriso hoje você não faz...

Aquele olhar tão terno de carinho
Olhar que já não comove mais...

Teu corpo quente a me envolver
Calor que não acalanta mais....

E hoje,
Abro o armário,
Mas jogo o antigo fora...

Mas guardo tudo com carinho,
na minha memória,
Me recordo orgulhoso
de toda a nossa história

Aquelas peças boas
De tantas estações
Protegeram rigoroso inverno
Aliviaram tórridos verões

Mas as águas se passam
Mas as vidas serão...
E águas que aqui passaram
Aqui nunca mais passarão...

Viajo para outros mares
E sinto a brisa,
Que venham novos ares,
Me tragam toda a segurança
Fortaleza de novos lares,

Me reconstruo,
Reciclo,
Renovo,
Decolo...

E seja feliz!

Passando pela vida
voando intenso alto,
O céu é imenso,
Não há só asfalto

Tudo que já passou,
Foi bom,
Tudo que virá.... ?????

Esperança.....

Só resta esperar...

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

¿ Que pasa ? (Inércia)

Diante dos meus olhos
A vida passa,
A vida é escassa
A vida se gasta...

Lentamente,
A vida passa,
Mais um ônibus,
Você dormiu no ponto e perdeu...

Espere o próximo,
Se é que ele chega,
Não sei quanto demora
Estou cansado de esperar....

A vida passa,
Lentamente,
Nada acontece,
Tudo é permanente

Falta de perspectivas
Ao longe um horizonte
Sem expectativas
Você está no front
Balas perdidas,
Mais negativas

A vida continua a passar
Ampulheta do tempo
As areias a derramar

Você se gasta,
Mais se desgasta,
Nunca se basta,
Você se arrasta
Mas nunca se afasta

Vida nefasta...

A vida continua a passar
Nada acontece,o máximo é que anoitece,
Você envelhece,
E você até esquece....

Que um dia até ensaiou ser feliz
Um dia você cantou e dançou,
Um dia você até se embebedou
A ressaca persiste até hoje...

A vida passa,
Esse bode que não passa,
Você não se acha
E nada se passa

A tristeza não passa,
E nada mais se passa,
A situação continua,
Mas a vida passa....

domingo, 28 de outubro de 2007

Vinte e Tantos Anos


Me lembro de um tempo
Em que tudo era fascinante e novidade
A vida era tão doce
Tudo era menos responsabilidade

Me lembro de um tempo
Ainda sonhávamos com amor eterno
No meio de toda aquela paixão adolescente
Tudo era fácil, tudo era terno

Despíamos pela primeira vez nossos corpos,
Lentamente nos descobriamos,
A nós mesmos e um ao outro
Era tudo novidade, era tudo tão fascinante

Vivíamos para o amor,
Vivíamos do amor,
Descobriamos nossos corpos pelas primeiras vezes

Descobri que ali era o auge
Tudo era intenso, tudo era maravilhoso,
Ainda nos sentíamos um pouco culpados,
Nós enxergávamos um pouco de pecado nisso...

O mais engraçado de tudo é pensar
Que exatamente essa época
Foi a mais inocente de todas...

Engraçado pensar
Que exatamente na descoberta do sexo,
Foi exatamente ali que malícia nenhuma existia

Mas tudo mudou,
Tudo evoluiu, tudo ficou mais chato
A realidade de cimento e concreto chega ao final da adolescência

Você vai competir, você tem que ganhar dinheiro!
Você tem que estudar, você tem que evoluir!
Não basta só isso, mais cargos você vai ter que subir!
Pagar sua casa, seu carro, comprar sua felicidade....

Você tem que se formar!
E já vá pensando em casar!
Quando mesmo você vai se formar???????

Quanto mais você vive,
Mais dúvidas você tem a respeito de si mesmo
Você lembra de tudo aquilo que você um dia já foi
E hoje, vinte e tantos anos,
Você não é minimamente capaz de responder quem você é....

Hoje o mundo deixou de ser aquela inocência toda
Hoje você sabe que nem todas as pessoas são bem intencionadas
Hoje você sabe que você mesmo é capaz de chegar ao fundo do poço


E hoje....



...hoje, bem....



...hoje parece que você nem sabe tanta coisa....




Hoje você não sabe pra onde vai
Lembra que você sonhou tanto em chegar aqui
Agora morre de saudade e quer voltar no tempo...

Hoje você é livre, e daí?
Pode ir pra onde quiser, e daí?
Você está perdido, e não sabe pra onde ir....
Tanto faz e de que adianta?

Incertezas, indefinições, como será minha vida daqui a um mês??
Você não sabe nem o que vai acontecer daqui a um mês
Emprego, quanto vou ganhar, quando poderei sustentar uma família?

Você achava que aqui seria o máximo da sua vida,
Pena que hoje você não tem certeza de nada...

E ainda tenho tanta saudade...
Do tempo em que o Sol do meu Sistema Solar não era o dinheiro...

E eu que já descobri o sexo,
Eu que já descobri o amor,
Já descobri o sexo mais amor...
E também descobri o sexo sem amor....

Hoje eu não consigo redescobrir o amor...

Eu já descobri tantos corpos,
Tanta coisa, conheço tanta gente,
Conto nos dedos quantas almas...

Já chega,
Só mais uma pergunta....

Meu Deus, por que foi que eu cresci????


segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Noites Errantes


Tristeza e solidão
Continuam....
Outra madrugada em vão...
Mais alguns desejos que ficarão para outras noites

Dirigindo pela madrugada
Longas vias expressas e mil pensamentos
As luzes e cidade linda iluminada
Os pedidos de socorro da minha alma maltratada

É bom analisar,
Apesar de tudo e tanto tempo,
Nós ainda somos os mesmos,
Em essência....
Mesmo que em retoques e maquiagem diferentes

Queria dizer que não,
Mas ainda sinto a tentação
Mistura de um pouco de química e lembranças
Desejo, carência, marasmo,
insuficiência....

Não sei o quão longe chegaríamos
Não sei se é o realmente melhor

Mas...

Talvez fosse bom,
Por alguns momentos,
Sentir de novo,
Lembrar um pouco...

Sem compromisso,
Talvez sem futuro,
E qual a diferença para o que estamos fazendo agora?

Nós dois aqui,
Lutando contra nós mesmos,
Fingindo que toda essa maravilhosa liberdade,
Tudo o que de mais é superficial e efêmero
Nos basta e completa....

A eterna ilusão....
Passos errantes ....
Destino que não se sabe para onde vai
Incertezas infinitas

Nós dois aqui,
Jogando jogos de puro azar e não de amor
Fingindo que está tudo ótimo
Ser sozinho e de ninguém
No travesseiro se lamenta a falta de alguém

Está tudo ótimo,
As noites são ao deus-dará
Alegria, bebedeira, diversão....
A juventude se diverte
Muitas paixões e relações
É também muita carência e solidão

Algumas horas,
A real felicidade parece tão longe
Às vezes pareço me iludir
Esperando que minha vida chegue de navio
Vinda do outro lado do mundo....

Tudo só parece mais e mais distante da solução
Mas o sol já vai raiar
E eu já vou dormir,
Sonhar com algo bom,
Acordar de novo,

E daqui a pouco serão mais noites de estórias,
Muitas pessoas, muitos casos,
Irrisórias,
Pouco a acrescentar
Na minha própria história

Dorme você também,
Sonha comigo quem sabe tá?
Quem sabe você não veja uma solução melhor para nós?

Ou então....
Mais madrugadas longas para você também!

...E que todos nós sejamos felizes no final!

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Todos Iguais em Cada um


Todos precisam se auto-afirmar
Todos precisam de identidade
Todos precisam ser reconhecidos
Quem ousa enfrentar o padrão?

Todos precisam de amor
Todos precisam amar
Todos fogem do compromisso
Quem consegue viver sem amar?

Todos precisam de dinheiro
Status, bens e notoriedade
Todos querem consumir
Quem aí consegue viver sem um pouquinho de luxo?

Todos querem a paz
Todos lutam por seus próprios interesses
Todos vendem a alma
Quem se deixa ser passado pra trás?

Todos querem seus sonhos
Todos não os conseguem
Todos temem a realidade
Quem aí é feliz de verdade???

sábado, 29 de setembro de 2007

Apenas Uma Madrugada de Sonhos

Do outro lado do mundo
A vida será bem melhor
A mulher da minha vida me espera
Fim de madrugadas virtuais

Do outro lado do mundo
A vida me espera de braços abertos
Linda loira vem me receber
Uma vida eu terei pra levar

Do outro lado do mundo
Tudo será bem melhor
Muito longe disso tudo
Muito diferente disso tudo

Do outro lado do mundo
Quicá não há gente falsa e mentirosa
Para trabalhar, quem sabe,
Do outro lado do mundo, quem sabe
Não há mais oportunidades e dinheiro

Vou sair
Vou fugir
Pro outro lado do mundo
Lá eu devo ir....

Sim estou sonhando,
Talvez não falando sério
Quem sabe não para o outro lado do mundo
Mas eu só quero sair daqui.....

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Da Revolta Causada Pelo Inacreditável


Todos os dias
Um absurdo novo
Uma calamidade
Uma heresia!

Passa em frente de você...
Te chama de trouxa...
Te faz de otário...

Todos os dias
Mais um convite à depressão
Mais uma dose de cachaça e amargura
Mais um baque com a dura realidade

Passando em frente
Te chamando de otário
Rindo da tua cara!

Mais um fato novo
Mais algo para se duvidar
Algo mais para se revoltar
Até Deus duvida!

Algo para gritar
Para espernear,
Para chorar....

Rindo do otário,
Cuspindo na sua cara,
Vexame na frente de todos.....

Até quando ??????????

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Vingança


Você um dia vai lembrar
De tudo que eu já te fiz
E um dia, quando eu te largar
Você vai lamentar por me tratar assim

Um dia vai sentir imensas saudades
E não achará nada nem parecido e equivalente
Vai lembrar como me doei e servi a você
Vai chorar de tanta saudade e arrependimento

Vai lembrar da minha dedicação, raça e talento
Vai lembrar do meu caráter, honestidade e carisma
Vai comparar com todas as cobras que selecionou ao seu lado
Vai chorar de tanto remorso e arrependimento

Você ainda vai ter saudades de mim
E muitas saudades
Vai suspirar, e perguntar:
Por que fui tão insanamente exigente?
Por que não deixei as coisas fluírem ao seu próprio tempo,
e não ao tempo que eu achava que as coisas deveriam fluir?

Você vai chorar... Escreva isso
Vai chorar, e a saudade será dor....
Será a imensa agonia que corrói toda sua alma
Será o eterno será que nunca será realidade da sua vida

Você vai lembrar de mim
Vai lembrar de mim, viu?
Quando você estiver a meio caminho sem volta do fracasso iminente
Quando a direção do seu destino estiver desgovernada
Você vai lembrar
Eu te avisei
E mesmo assim, tanta burrice é teu orgulho que nem dar o braço a torcer você vai

Vai de novo disfarçar
Vai de novo dissimular
Sua própria causa-mortis
Você vai enterrar

Mas me aguarde
Ainda olho você por cima
E aguarde mesmo...


Você vai lembrar de mim
Você vai lembrar de tudo
Você vai lembrar exatamente disso que estou dizendo...

Você vai lembrar.....

sábado, 1 de setembro de 2007

Outro Dia


Eu já fui seu
Você já foi minha
Nós já fomos tudo
Tudo o que de bom se tinha

Um dia meu coração foi seu
Um dia minha alma foi sua
Noites românticas e velas
Do meu lado você toda nua

Um dia eu seria seu
Seria você a metade de mim
Um dia nós seríamos juntos
Hoje somos simplesmente assim

Hoje eu sou mudo
Hoje você é calada
Um dia fomos tudo
Hoje nós não somos nada

Talvez ainda seja minha
Talvez ainda serei seu
Frangalhos do peito rasgado
Restos do amor que morreu


Um dia talvez mude
Um dia talvez volte
Espero que a gente se cure
Do orgulho que nos ilude


terça-feira, 28 de agosto de 2007

Soneto do Avesso


É tudo do avesso

É tudo sem sentido
É o avesso do avesso
É tudo tão doído!

Nem sei como apareço
Queria ter sumido
É o avesso do avesso
É tudo que tenho sentido

É toda a expectativa
Que se afogou e morreu
É mais uma negativa

Você está tão pensativa
Por que não você e eu?
Apenas outra tentativa...


...(E aí vem mais uma negativa!).....



segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Mentes Pequenas






Mentes pequenas

Se degradam em coisas pequenas
Se irritam em vão
Colocam a culpa em você, então

Mentes pequenas
Querem tua dor
Invejam teu bem
Bem que estas mentes não tem
Mentes pequenas
Rasteiras e traçoeiras
Pelas costas apunhaladas
Saem de mansinho e caladas

Mentes pequenas
Sugam tua força,
Roubam tua energia
Escurecem a luz do teu dia

Mentes pequenas,
desgastando toda a humanidade
Ardendo em mágoas,
Infindáveis lágrimas,
Hoje, ontem, sempre
Por toda a eternidade

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Dilacerando...


Esse império que caiu
Lágrimas que não foram o bastante
Foi o nosso mundo que ruiu
Nada se pôde fazer naquele instante

Esse sol que não se abriu
Barreiras que não nos deixam seguir adiante
Foi o nosso mundo que caiu
Você teimosa de orgulho, não obstante

Essa vida solitária
Somos nós dois no precipício
Nossa pretensão imaginária

Essa paixão totalitária
Sufoca desde o início
Bem vinda, realidade precária

segunda-feira, 23 de julho de 2007

O Ciclo

Grandes impérios de outrora se desfazem e caem
Corpulentas e imponentes fortalezas definham e ruem
Todas as formas de maldade sempre evoluem
É a nobreza dos corações que agora se esvaem

Cotidiano diário de puro niilismo
As esquinas choram de solidão
Disfarçando a dor com o nosso cinismo
Da Idade da Pedra à Era da Aflição

Conclua seu testamento e resuma sua vida
Numa página virtual desta rede
Enxugue as lágrimas e cicatrize a ferida
Ainda não é o suficiente para matar a sede

A vida descreve seu curso em suas insinuantes contradições
Ironias calculadas que nunca se podem antever
O revés, a tristeza, as lembranças e as lições
E os homens que ainda competem para sobreviver

Um novo império já está sendo construído
O solo para o novo jardim é fertilizado
Já nem me lembro do último amor vivido
Todo o ontem já é tão ultrapassado

sábado, 21 de julho de 2007

Poema para quem não vêm


Alguém para amar
Conhecendo corpos onde o amor não têm
Perambular em desespero pela escuridão
Esperar alguém que não vêm

Se deixar levar
Conseguir algo que acredita
A viagem sem destino na imensidão
Meu espírito ressucita

Nos meus sonhos você volta
Pelo menos um segundo
Aqui ao meu lado
Já traz sentido a esse mundo

Nos meus sonhos você permanece
A vida inteira
Aqui, ali, sempre a meu lado
E o sentido do mundo nunca mais apetece

Por enquanto me deito
Finjo sua presença
Sonho bom de novo

Por enquanto distraio
Finjo satisfação
A distância não é mais nada

Por enquanto existo
Resisto em crer
Você não está aqui
E não há mais nada para oferecer

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Carta para a Oceania


Ei você,
Que parte assim tão depressa
Como quem tem tanta pressa
Tão depressa e tão de repente
Como quem me parte ao meio nessa
E leva parte de mim consigo

Você,
Que passa assim tão longe
A milhares de quilômetros daqui
E eu passo mal só de pensar
Por favor,
Arrume um remédio que faça passar
A imensa vontade de estar contigo

Deste lado do oceano que nos separa
É a vida que anda tão sofrida
É o esboço do projeto que não funciona
É a dor aberta da eterna ferida

São todas essas pessoas medíocres
É toda essa realidade triste
É a convivência diária com o cinismo e a hipocrisia
É o avesso do bom senso que ainda persiste

Ei você,
Que um pouco a salvo está de tudo isso
Me deixe salvo de todo esse desperdício
Diário cotidiano desnecessário
Enfadonho rotineiro compromisso
Salvo engano despenco nesse precipício

Você,
Me liberte de tudo e me deixe leve
Leve minha tristeza para longe
Vai,
E também toda essa saudade que eu sinto,
Só de leve

Que ainda te espero uma volta
Que ainda nas voltas do mundo
Vale a pena a espera
Espero que ainda dê certo
Todo tempo que te esperei de volta